Sunday, September 14, 2008

Que raio…dentista a segurar uma urgência básica ?

A crescente falta de médicos está a abrir caminhos a situações assustadoras…a urgência básica de Odemira foi recentemente assegurada por um médico dentista - até onde vai este tipo de insulto a segurança das pessoas? o que é que entende de ataque cardíaco um dentista? o que é que entende de doses de medicamentos para tensão arterial um dentista?
Noticia do Público:

Um médico militar dentista, na situação de reformado, prestou serviço há duas semanas, durante alguns dias, no único Serviço de Urgência Básica (SUB) que funciona no distrito de Beja, sem ter qualquer formação em suporte avançado de vida. O clínico exerceu as suas funções ao abrigo de um contrato celebrado com a sub-região de Beja da Administração Regional de Saúde do Alentejo.

Um utente que ali foi atendido no dia 1 deste mês diz ter estranhado o que considerou ser o “pouco à-vontade” do médico no atendimento dos doentes. Alda João, directora do Centro de Saúde de Odemira, garante não se ter apercebido do “pouco à-vontade” do colega com quem esteve de serviço nesse dia, frisando, no entanto, que não assistiu às suas consultas e que, nesse dia, foi confrontada com uma situação de emergência que teve de gerir “apenas com o apoio do CODU de Lisboa via telefone”.

A médica confirma que no Serviço de Urgência Básica de Odemira “não há ninguém com formação” específica para tratar de situações que exijam conhecimentos em suporte avançado de vida. “Apenas podemos contar nas urgências com clínicos gerais”, afirma, acrescentando que mesmo esses são insuficientes.

Alda João garante, contudo, que não recebeu queixas dos utentes atendidos pelo seu colega, salientando que no livro de reclamações do centro de caúde só “abundam os protestos por tempos de espera de duas e três horas” no serviço de urgência. Conformada, a directora do centro reconhece que não tem médicos para atender as pessoas mais depressa. Mesmo nas urgências, adianta, há “imensas dificuldades em assegurar o serviço com dois médicos”, como está determinado.

A solução tem passado por “horas e horas de trabalho contínuo”. “[Neste contexto, e dadas as crescentes dificuldades em encontrar médicos], não nos podemos dar ao luxo de recusar quem aparece, porque não temos alternativa”, sublinha.

Também o presidente da sub-região de Beja da ARS, João Pina Manique, se queixa das dificuldades em superar os constrangimentos criados pela recente saída de médicos espanhóis. “No final de Julho quase todas as unidades de saúde da região correram o risco de encerrar por falta de médicos”, afirmou. A alternativa foi abrir um concurso público para preencher as muitas vagas abertas com clínicos fornecidos por empresas. Nestas circunstâncias, explicou, “nem sempre aparecem profissionais qualificados” e por vezes surgem “problemas complicados” com a prestação de alguns profissionais assim contratados.

Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, não avaliza este tipo de contratações feitas pelas administrações regionais de saúde. “Cabe à Ordem dos Médicos criar regulamentação para a prática médica”, lembra Pedro Nunes, esclarecendo que as recomendações que têm sido feitas sobre o assunto “vinculam todas as instituições” onde os clínicos exercem. “O Ministério da Saúde deve promover e priorizar os cursos de formação em suporte avançado de vida para todos os médicos que venham a exercer a sua actividade nos serviços de urgência”, diz o bastoinário a propósito do caso de Odemira.

Pedro Nunes sublinha que a “falta de médicos não pode ser suprida com baixa qualidade na prestação dos cuidados médicos em situação de urgência e emergência”.

As instâncias judiciais, salienta, podem exigir responsabilidades civil e criminal às ARS, se o regulamento da Ordem dos Médicos não estiver a ser cumprido. O PÚBLICO tentou contactar o médico dentista que já não se encontra ao serviço das urgências de Odemira, mas não foi possível localizá-lo.

Posted by Hospital Portugal in 11:14:32 | Permalink | Comments (6)