Relatório Sedes - Avanços e recuos na saúde em portugal
A Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, publicou recentemente em um relatório “TOMADA DE POSIÇÃO - Estado da Nação “, salta-me a vista elogios “seguros”, mas principalmente a crítica implicita sobre a hesitação em avançar a fundo com reformas inadiaveis (o encerramento de urgências nomeadamente) e o financiamento do estado ao sector privado, que cresce de forma galopante (a custo de quê e o quê ?).
Os EUA, potência mundial hoje tenta reverter um conjunto de políticas seculares que desprezaram o sector publico da saúde, culminando com situações de todo inaceitaveis, sendo possível em alguns estados, alguém sofrer um ataque cardíaco e não aceder a cuidados por não estar coberto em termos de seguros.
[SaúdeNos últimos quatro anos, houve alterações substantivas no sistema de saúde português. Assinalam-se as transformações em curso no Serviço Nacional de Saúde (nos cuidados de saúde primários, na gestão hospitalar, na reorganização da rede prestadora, nos cuidados continuados) e o crescimento do sector privado, seja na componente de financiamento (seguros e sub-sistemas) seja na de prestação de serviços (nomeadamente, na oferta hospitalar).
O processo técnico de apoio à reorganização do Serviço Nacional de Saúde foi considerado de elevada qualidade. Contudo, um período de forte contestação pública levou a um aparente repensar deste percurso. As transformações em curso no Serviço Nacional de Saúde correm o risco de não serem concluídas, ou mesmo de sofrerem um retrocesso, nomeadamente, na reorganização da rede prestadora.
Nos cuidados de saúde primários, a principal alteração consiste na criação das Unidades de Saúde Familiar, na prestação de cuidados de saúde de proximidade. Em fase avançada de concretização, é importante que esta seja concluída.
Por outro lado, não sendo claras as implicações orçamentais de algumas destas medidas, o seu desenvolvimento deverá realizar-se dentro de um rigoroso planeamento a este nível.
A componente de cuidados continuados (e paliativos), após um impulso adicional, não dá ainda resposta cabal às necessidades das populações.
Já o percurso iniciado pelo sector privado no desenvolvimento da sua rede de prestação, em particular de equipamentos hospitalares, será provavelmente finalizado. Mas, também nesta matéria, pode estar em revisão a relação ideológica entre o Estado e o sector privado da saúde, sem que as respectivas consequências sejam claras.
O sector público manifesta uma crónica incapacidade de concluir as transformações que inicia. A relevância das reformas em curso exige, para o desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde e o bom funcionamento do sistema, que sejam completadas, sem cedências nem eventuais recuos por força da fase pré-eleitoral.]
Fonte: AQUI
Vi o debate a volta deste relatório no prós e contras da RTP, a única coisa que me saltou a vista é o clima de paz entre os prestadores públicos e privados. Parece que não há nenhum problema,não há médicos a zarparem para o privado, o estado não está a perder o dinheiro investido na formação dé pessoal de saúde, não há desenvestimento no público etc.
Para mim é um escândalo! Acesso universal e tendencialmente gratuito da saúde a todos portugueses.
A gente quer é saúde, não interessa se no público ou privado.
João Alfredo Sarrateiro